Carmo de Minas

Cidade

Dados Geográficos

O município de Carmo de Minas localiza-se na Zona Fisiográfica Sul, fazendo parte da microrregião 198, conhecida como Planalto Mineiro e formada por 44 municípios, integra também, com outros 29 municípios, a região da AMAG. Limita-se com os municípios de Olimpio Noronha, Jesuânia, Conceição do Rio Verde, Soledade de Minas, São Lourenço, São Sebastião do Rio Verde, Dom Viçoso e Cristina.

O município possui uma extensão territorial de 323,32 km², sendo 3,2% da região e 4,0% da Amag. O ponto central da cidade fica a uma altitude de 960 metros. A temperatura média anual é de 19,1 º e o índice pluviométrico anual é de 1.568,9 mm. Sua posição é determinada pelas coordenadas geográficas de: 22º07’21” de latitude sul e 45º07’45” de longitude oeste (Igreja Matriz). A área do município é caracterizada por 10% de formação plana, 20% ondulada e 70% montanhosa. Carmo de Minas é banhada pela Bacia do Rio Grande, tendo como principal rio o Ribeirão do Carmo do Rio Verde.

Dispõe de importante malha rodoviária, que liga a sede municipal a vários centros econômicos importantes, como São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte.

O clima da região é do tipo tropical de altitude com verões muito brandos e úmidos e invernos secos e com um período de estiagem de 5 a 6 meses (abril a setembro).

A floresta tropical mista subcaducifólia, que outrora recobria a região, encontra-se bastante devastada, sendo encontrada em áreas isoladas em forma de mata de galeria.

Carmo de Minas possui uma população de 13.657 habitantes, sendo 61,62% provenientes da área urbana e 38,38% da área rural. Deste total 8.637 pessoas são eleitores. A base da economia do município é a agricultura e pecuária.

De acordo com o Anuário dos Municípios 2008, os índices econômico-sociais registrados em Carmo de Minas são:

FPM (2008): 1,0

ICMS (03/2008): 0,03803869

IDH-M (2000): 0,744

PIB/hab (2005): R$7.031,25

Histórico de Carmo de Minas

Fundação: 24 de fevereiro de 1814

Emancipação: 16 de setembro de 1901 (Decreto-lei nº. 319)

Santa Padroeira: Nossa Senhora do Carmo – 16 de julho

O território, onde hoje está situado o município de Carmo de Minas, era ocupado por fazendas, dentre elas, a de propriedade do Sr. Francisco Fernandes de Oliveira, a Fazenda dos Campos, que era cortada pelo ribeirão, hoje denominado do Carmo. O marco referencial ao início da povoação do local, diz respeito à missa realizada em 1814, que coincide com a elevação do arraial à condição de freguesia a 24 de fevereiro. A cerimônia foi realizada pelo vigário de Pouso Alto, incumbido de implantar a freguesia. Para a missa, ergueu-se uma tosca capela dedicada a Nossa Senhora do Carmo e também quatro casas de pau a pique, para dar início à instalação de colonos no local.

A notícia de fundação do arraial espalhou-se pela região e com a decisão de aforar-se às terras da ermida de Nossa Senhora do Carmo das Paragens do Rio Verde, conforme determinação diocesana, vários colonos foram chegando durante os anos seguintes, com vistas a explorar os terrenos que iam adquirindo. As primeiras doações de terras se deram com o filho do Sr. Francisco Fernandes de Oliveira, de mesmo nome, que cumpriu o requisito doando parte da Fazenda dos Campos. Anos mais tarde, João Coelho Nunes e sua esposa Genoveva Custódia de Gouveia cederam também parte de suas terras.

Vale lembrar, que durante essas primeiras décadas do século XIX, com o desaquecimento da economia mineradora no Estado, parte da população, livre e liberta, vagava pela região à procura de melhores condições de vida e de emprego, ou mesmo com vistas a fixar-se em terras devolutas, ou comprá-las.

Um grande clímax econômico também surgiu, durante esse período, com a vinda da Corte Portuguesa ao Rio de Janeiro. Tal processo desencadeou uma demanda crescente por produtos agrícolas e pré-manufaturados, sendo que a região ao sul do estado de Minas Gerais foi atingida diretamente por esse novo cenário, e firmou-se para adequar-se a esses novos tempos, aproveitando a proximidade com a capital da Coroa. Esse processo não partiu de um programa conciso dos fazendeiros e nem foi elaborado a partir de mentalidade capitalista racionalizada, o que é descabido para o período em questão, ainda extremamente mercantil. Mas os produtores da região estavam atentos e sensibilizados para o cenário que se desenrolava com a transferência da Corte e tentavam aproveitar as oportunidades advindas. Há de se lembrar, que a região era cortada pela antiga Estrada Real, que viria ser novamente aproveitada de forma crescente durante todo o século XIX; e não é em vão que várias localidades da região iniciaram sua formação, ou apresentaram um novo impulso, durante esse período.

No princípio do século XX, a cidade já se destacava pelos numerosos e renomados estabelecimentos de ensino: ginásio masculino, escola normal feminina, escolas de Agricultura, Farmácia e Odontologia. Conhecida como “Atenas sul-mineira”, suas escolas mantinham corpos docentes ilustres, que atraíam estudantes de localidades distantes. A cidade também foi pioneira na aclimação de espécies exóticas, como oliveiras, tamareiras, pereiras, caquizeiros, ameixeiras, macieiras, espécies raras de parreiras e castanheiras. Sua fama atraía a curiosidade de diversas personalidades de destaque no meio político nacional. Uma destas culturas foi premiada na Exposição do Centenário, em 1908, como foi o caso do vinho fino “Néctar” produzido na Chácara da Conceição, mais conhecida como Escola Jerônimo Fernandes.

A cidade herdou o sossego e a qualidade de vida proporcionada pelo ritmo desacelerado, mas acolhedor de sua população, fixada em atividades em sua maior parte no setor primário da produção, como a cafeicultura.

No Brasil, o cultivo do café teve forte impulso ao final do século XIX e quase a metade do século XX, tornando-se o principal produto nacional. Fortunas foram feitas e arruinadas perante as fases de glória e decadência pela qual passou a produção do café. As terras e o clima de toda a região sul-mineira favoreceram a expansão da cultura cafeeira, na qual investiram vários fazendeiros carmenses.

Carmo de Minas faz parte do cenário nacional na produção dos bens que mais lhe conferem prestígio – o café e o gado Girolando. A qualidade do café produzido no município se deve a aplicação de técnicas atuais e inovadoras. Da mesma forma, a cidade é conhecida como a capital do gado girolando, devido ao alto investimento dos pecuaristas locais para a melhoria do rebanho em suas propriedades. Assim, o município partilha, no ramo da sua produção econômica, das novas tecnologias do mundo contemporâneo, mas num ambiente que não se hostiliza com o emprego dessas técnicas.

Atualmente, o café é um importante produto de Carmo de Minas, sendo reconhecido no Brasil e no mundo pela qualidade de seus grãos, título que o município estampa com orgulho.

Por outro lado, o crescimento da população urbana de Carmo de Minas gerou o incremento da atividade de serviços na cidade e também à expansão do setor comerciário, que empregam parte dos carmenses em suas atividades. No setor industrial os investimentos são bastante modestos. Assim, sendo, as pequenas indústrias existentes na cidade são basicamente voltadas para produção de alimentos (principalmente derivados do leite) e cerâmicas.

A capela de Nossa Senhora do Carmo foi o núcleo inicial do arraial, primeiramente denominado Carmo de Cristina, depois Carmo de Pouso Alto da Cristina. Em 1832, passou a freguesia, sendo então desmembrada de Pouso Alto. Em 1841, foi elevada a distrito, tendo sua denominação mudada para Carmo do Rio Verde.

Em 1900, o Governo criou o município de Silvestre Ferraz, que encampava os distritos de Carmo do Rio Verde e o de São Lourenço. Este nome foi inspirado na estação ferroviária que servia a localidade. Emancipada em 1901, passou a chamar-se Silvestre Ferraz e só em 1953, o município adotou o nome definitivo de Carmo de Minas, ficando constituído apenas pelo distrito sede.

Hino a Carmo de Minas

Salve Carmo de Minas,

Minha terra gentil.

Salve Carmo de Minas

Pedacinho do Brasil.

Os teus filhos no passado

Escreveram bela história

Confiantes esperamos

Um porvir cheio de glória

Tu cresceste tendo sempre

De Maria proteção;

Engastada entre montanhas,

És a jóia do meu coração.

Letra: Maria Stella Toledo Grilo

Atrativos de valor histórico-cultural

Antiga Estação Ferroviária

Segundo anotações do carmense Sr. Fernando Pena (1915-2006), a Estrada de Ferro Minas-Rio foi construída por uma Companhia Inglesa – a Minas and Rio Railway Company. Quando alcançou Soledade, os deputados Silvestre Dias Ferraz Júnior, Cristiano Correia Ribeiro da Luz e Padre Antônio Ribeiro da Luz se uniram e conseguiram a mudança do itinerário original, visando a passagem da Estrada de Ferro por Cristina, para benefício da então Carmo de Minas do Rio Verde.

A Estação Ferroviária de Carmo de Minas foi inaugurada em 15 de março de 1890, em terreno doado por Manoel Dias Ferraz. A diretoria da estrada de Ferro deu-lhe o nome de Silvestre Ferraz em homenagem ao deputado da região. A Praça da Estação, que conseqüentemente ficava anexa à Estação Ferroviária, foi inaugurada em 1932.

O primeiro nome foi Estrada de Ferro Vale do Sapucaí, mais tarde foi chamada de Rede Sul Mineira e, ainda, Viação Centro-oeste.

Passavam pela cidade diariamente seis trens de passageiros expresso e misto, com destino a Itajubá e a Soledade. Dois comboios de cargas, todos os dias passavam pela linha férrea levando gado, aves, legumes e hortaliças para os centros consumidores.

O Sr. Fernando Pena relata que havia uma euforia na hora da chegada e partida de passageiros da estação ferroviária.

A partir de 1952, com o asfaltamento das estradas, o transporte de passageiros e mercadorias começou a ser feito por caminhões e ônibus, o que tornou o sistema ferroviário deficitário. Em conseqüência, a Estação Ferroviária foi desativada em 1979 por prejuízos. Em 1980, começou a retirada dos trilhos e o prédio da Estação Ferroviária foi abandonado. Naquela época a estação era propriedade da RFFSA – Rede Ferroviária Federal AS. Só em 1996 o imóvel foi ocupado pela Prefeitura Municipal de Carmo de Minas. Atualmente, o local abriga a Rodoviária de Carmo de Minas.

Jornal A Folha Nova

Coleção de selos, revistas e fotografias.

De acordo com anotações do Sr. Fernando Pena (1915-2006), o semanário A Folha Nova foi fundado em 1º de janeiro de 1914, por Américo Pena.

O Sr. Américo Pena comprou o Jornal A Procellaria, que circulava desde 1895, de Antônio Ferreira da Silva Porto, e, em 1914, com o novo proprietário, passou a chamar-se A Folha Nova.

A Folha Nova circulava aos domingos e era enviado, mediante solicitação, para cerca de 200 cidades dos estados de Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Rio Grande do Sul e Bahia. Em dezembro de 1939, com o falecimento do Sr. Américo Pena, seu filho, Fernando Pena, que ajudava o pai desde os 12 anos de idade, assumiu a direção do Jornal A Folha Nova.

A tiragem do Jornal A Folha Nova variava entre 800 e 900 exemplares semanais. Até 1942, o formato da página era de 48 cm x 33 cm, mas, a partir de 1943, com dificuldades em adquirir o papel, o formato foi reduzido para 33 cm x 24 cm, permanecendo até o fim de sua publicação.

Durante 34 anos (entre 1939 e 1973), o Sr. Fernando Pena manteve o jornal em circulação. Em dezembro de 1973, por motivo de dificuldade em sua manutenção, as atividades do jornal foram encerradas. O maquinário foi vendido para um grupo de pessoas de São Lourenço, que fundou outro jornal, porém, este foi publicado por apenas um ano.

O arquivo do Sr. Fernando Pena, além de todos os exemplares do semanário A Folha Nova, possui ainda, exemplares do Jornal A Procellaria, do final do século XIX e início do século XX. O Sr. Fernando Pena, ao longo da vida e, principalmente, enquanto esteve à frente do semanário, recolheu e guardou jornais, revistas, fotografias, selos, recortes de revistas, discos de vinil, livros, entre outros, com zelo cuidadoso de colecionador. Hoje todas estas pérolas, que são retratos de uma época, fazem parte do seu rico acervo, que foi deixado á sua sobrinha Matilde Pena.

Vale ressaltar que a impressora principal do Jornal A Folha Nova, importada dos Estados Unidos, atualmente, está exposta na Casa de Cultura da cidade de São Lourenço.

Referências Bibliográficas:

Inventário de Carmo de Minas – Memória e Arquitetura

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